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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Solidão parece enfraquecer o sistema imunológico

Nova pesquisa descobriu que pessoas que se sentem sozinhas estão mais sujeitas a quadros de inflamação e de ativação de vírus que costumam se aproveitar do sistema imune enfraquecido


























A solidão pode enfraquecer o sistema imunológico de uma pessoa e deixá-la mais vulnerável a contrair doenças que vão desde herpes até as relacionadas a quadros de inflamação crônica, como artrite reumatoide e diabetes tipo 2. Foi o que concluiu um estudo apresentado neste sábado no encontro anual da Sociedade para Psicólogos Sociais e da Personalidade, na cidade americana de Nova Orleans.
Para realizar a pesquisa, a equipe, coordenada por Lisa Jaremka, da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, se baseou nos dados de pessoas que haviam participado de dois estudos diferentes. Em um deles, foi avaliada a saúde de 200 mulheres de 51 anos em média que haviam concluído o tratamento contra o câncer de mama de dois meses a três anos antes do início da pesquisa. No outro, participaram 134 adultos saudáveis com excesso de peso.
Vírus — O estudo de Lisa Jaremka foi feito em duas etapas. Na primeira, as 200 mulheres que sobreviveram ao câncer de mama responderam a um questionário desenvolvido pela Universidade da Califórnia, Los Angeles, que mede o nível de solidão que uma pessoa sente. Além disso, os pesquisadores analisaram amostras de sangue dessas participantes, especialmente os níveis de anticorpos contra os vírus Epstein-Barr, que provoca a mononucleose, e o citomegalovírus (CMV), que pertence à família do vírus do herpes e da catapora. De acordo com os autores, ambos os vírus são comuns em humanos e podem permanecer inativos no organismo do indivíduo infectado. No entanto, quando ativados, resultam em níveis elevados de anticorpos, mesmo que não produzam sintomas característicos das doenças que provocam.
Segundo os resultados, as mulheres que se sentiam mais solitárias foram as que apresentaram os maiores níveis de anticorpos contra ambos os vírus, o que caracteriza a reativação do vírus, e esse quadro foi associado a uma presença maior de sintomas como dores e fadiga.
Proteína — A segunda parte da pesquisa da Universidade do Estado de Ohio foi feita os com 134 adultos com excesso de peso e com 144 mulheres entre as que foram curadas do câncer de mama. Esses indivíduos também tiveram suas amostras de sangue analisadas, mas nesse caso os pesquisadores olharam para os níveis de proteínas que, em grandes quantidades, estão relacionadas a quadros de inflamação no organismo capazes de desencadear doenças coronarianas, diabetes tipo 2, Alzheimer, artrite reumatoide e comprometimento cognitivo.
A equipe também submeteu esses participantes a uma situação estressante: eles precisaram resolver uma questão matemática na frente de uma câmera de vídeo e de três jurados. Logo após essa atividade, os pesquisadores deram aos participantes um composto chamado lipopolissacarídeo, molécula que é encontrada em bactérias e é capaz de provocar uma resposta imune no nosso organismo.
Os autores, então, descobriram que aqueles que ficaram mais estressados e também relatavam sentir mais solidão (que é uma forma de stress) foram os que apresentaram os maiores níveis da proteína interleucina 6, que é associada a quadros de inflamação, em resposta à situação de stress. Esse resultado foi semelhante tanto para os adultos com excesso de peso quanto para as mulheres que se curaram do câncer.
"É evidente que a má qualidade de vida, em especial a solidão, está relacionada a uma série de problemas de saúde. Nossa pesquisa é importante para mostrar que pessoas sozinhas estão em maior risco de saúde do que aqueles que são mais socialmente ativas", diz Jaremka.
Fonte: Medicina Executiva

sábado, 18 de maio de 2013

Brasileiros criam teste mais preciso e barato para detectar vírus HTLV

Pesquisadores do Hemocentro da USP de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) desenvolveram um kit de diagnóstico molecular mais eficiente e barato do que o teste atual para o vírus HTLV, que pode causar câncer no sangue e paralisia dos membros inferiores.

O kit, formado por reagentes e instrumentos de análises clínicas, confirma a existência do vírus e o seu tipo (se 1 ou 2). Segundo os pesquisadores, o exame pode custar até 10% do preço do mais usado atualmente, sorológico.
De acordo com o pesquisador Maurício Rocha, o exame atual tem resultados indeterminados em até 40% dos casos. O novo kit, afirma ele, é 100% eficaz. "O kit detecta o genoma do vírus no paciente, e não os anticorpos criados por ele."
A origem da pesquisa está na necessidade de diagnosticar o vírus para evitar novas contaminações. Estudos estimam que, no Brasil, 2,5 milhões de pessoas são portadoras do vírus, mas em apenas 5% delas as doenças se manifestam.
A principal forma de transmissão do vírus é de mãe para filho, pela amamentação. Porém, o exame não integra o protocolo do pré-natal das gestantes. A medida, segundo os especialistas, poderia impedir a transmissão vertical.
As outras formas de contaminação são relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de agulhas e seringas e transfusões de sangue. Desde 1993, nos bancos de sangue, os exames para detecção do vírus são feitos.


O HTLV não tem cura e tratamento definitivo. A aposentada Sandra de Castro do Valle, 59, de Niterói (RJ), descobriu em 2005 que era portadora do vírus. Ela afirmou que após investigações, confirmou que a contaminação foi pela mãe.
"Por causa do diagnóstico tardio, inclusive, transmiti o vírus para o meu ex-marido. Graças a Deus meus filhos não desenvolveram o HTLV", disse ela, que faz tratamento paliativo com corticoides na medula para evitar inflamação e dores nas costas.
Ela montou uma ONG para difundir o conhecimento do vírus e auxiliar portadores no acesso a tratamentos. "Nós não temos atendimento que deveríamos. O acolhimento é feito apenas nos institutos de pesquisa."

VENCESLAU BORLINA FILHO
DE RIBEIRÃO PRETO




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