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sexta-feira, 8 de março de 2013

ES: Hospital São Judas Tadeu reabre e volta a realizar atendimento ambulatorial

 

Fonte: A GAZETA em http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2013/03/noticias/cidades/1414604-hospital-sao-judas-tadeu-reabre-e-volta-a-realizar-atendimento-ambulatorial.html

07/03/2013 - 17h31 - Atualizado em 07/03/2013 - 18h11

 

Internações e cirurgias só voltarão a ser feitas quando unidade cumprir exigências feitas pela Vigilância Sanitária Estadual

Leonardo Soares

Foto: Ricardo Medeiros

Ricardo Medeiros

Hospital e Maternidade São Judas Tadeu, em Guarapari, foi interditado em fevereiro

O Hospital São Judas Tadeu, em Guarapari, foi reaberto no início da tarde desta quinta-feira (07) apenas para atendimento ambulatorial de pacientes com plano de saúde particular. As internações e cirurgias só voltarão a ser feitas quando a unidade cumprir as exigências feitas pela Vigilância Sanitária Estadual. O São Judas foi interditado no último dia 20, para a investigação da morte de sete recém-nascidos no hospital, entre janeiro e fevereiro deste ano.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que o hospital está autorizado a realizar novamente o atendimento ambulatorial. Entretanto, não é permitido que haja nenhum outro tipo de procedimento que não seja o de ambulatório, esclarece a Sesa.

O diretor clínico do Hospital São Judas, Carlos Frederico Machado, informou que o alvará necessário para a reabertura do ambulatório foi conseguido às 11h desta quinta. Às 14h o hospital já começou a atender os pacientes. "Por enquanto temos somente o ambulatório funcionando. Mas já estamos providenciando as exigências apontadas pela Vigilância Sanitária para reabrir o hospital, por completo".

No hospital São Judas, apenas a maternidade funcionava em convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), informou o diretor clínico. E como não há, ainda, condições de realizar as internações de gestantes, somente são feitos atendimentos particulares no local.

"Até a próxima semana devemos ter tudo sob controle. São questões como o fluxo de esterilização de materiais, escala de plantonistas e outras questões. Estamos organizando as escalas dos profissionais".

Explicação
Carlos Frederico Machado voltou a defender a unidade hospitalar sobre o episódio em que sete recém-nascidos que nasceram no São Judas entre os meses de janeiro e fevereiro vieram a óbito. Os repetidos óbitos fizeram com que tanto o Conselho Regional de Medicina (CRM) quanto o Ministério Público Estadual abrissem investigação sobre os casos.

"Já foi comprovado pela comissão de investigação que as mortes dos bebês não são culpa do hospital. Pode ter havido alguma falha durante o pré-natal e há mães que já chegaram ao hospital com o bebê morto", defendeu.

CBN
Em entrevista ao CBN Vitória na manhã desta quinta, o sub-secretário de Estado da Saúde, Geraldo Queiroz, defendeu choque de ordem na saúde do município. Geraldo Queiroz também falou sobre a situação do hospital: "A Vigilância Sanitária de Guarapari foi omissa em permitir que o Sâo Judas tadeu funcionasse sem condições e colocando em risco a vida de pacientes".

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Diretor de hospital onde morreram sete bebês em 43 dias admite que maternidade não está preparada para alto risco

 

Fonte: CBN VITÓRIA em http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2013/02/cbn_vitoria/reportagens/1406477-diretor-de-hospital-onde-morreram-sete-bebes-em-43-dias-admite-que-maternidade-nao-esta-preparada-para-alto-risco.html

21/02 - 14h05

Tiago Félix
tfernandes@redegazeta.com.br

Após a morte de sete bebês entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano no Hospital São Judas Tadeu, em Guarapari, a direção da unidade pretende acabar com o convênio que tem há 30 anos com o Sistema Único de Saúde (SUS). Mas o descredenciamento não estaria ligado exclusivamente às mortes das crianças, e sim ao fato da unidade ser remunerada com valores muito baixos pelo SUS para a realização dos partos. A explicação é do diretor clínico do hospital, Carlos Frederico Machado.
"O procedimento que iremos tomar não tem muito a ver com esse caso. Foi apenas um agravante. Não vamos fazer mais parto pelo SUS. Entre 30 e 90 dias queremos parar de atender. Vamos ver o tempo legalmente que precisamos", disse o diretor.

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Carlos Frederico Machado contestou a informação do coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Guarapari, Antônio Júnior, de que a maternidade não contava com ventilador mecânico e neonatologista de plantão durante o parto de um dos bebês que veio a óbito posteriormente. No entanto, reconhece que a unidade não tem estrutura para realizar partos de alto risco. "Existe sim o equipamento e o pediatra que faz o serviço de neonatologia. A maternidade não está preparada para alto risco. Ela não é para atendimento de alto risco e sim de risco habitual".

O médico negou também que tenha ocorrido negligência por parte da maternidade. Ele afirma que quatro especialistas participam dos partos e que os bebês receberam atendimento necessário. Mas as famílias querem uma resposta. É o caso da dona de casa Jedislaia Nascimento dos Santos, 17 anos, que perdeu o filho no último domingo (17), após ele ter complicação respiratória. Ela diz que fez o pré-natal durante a gestação e acompanhamento médico. A jovem atribui a morte do filho à negligência dos médicos.

"Estou muito mal com a morte do meu primeiro filho. As vezes brinco ou dou um sorriso, mas não esqueço de tudo o que aconteceu. A tristeza é muito grande. Quero justiça pela vida do meu filho, tirada assim", exige a dona de casa.

O assunto tomou conta das ruas de Guarapari. No comércio, nos ônibus e até nos bancos da cidade as pessoas comentavam sobre a morte dos bebês. O comerciante Valdecir dos Santos, 58 anos, estava revoltado. "A nossa cidade Saúde, que é Guarapari, conhecida nacionalmente, é uma precariedade na área da saúde. Só pensam nos turistas e esquecem da cidade. O município está revoltado com essas mortes", diz.

Outra que ficou revoltada com as informações foi a dona de casa Arlete Andrade Cunha, 59 anos. Ela diz que teve os filhos na mesma maternidade e nunca teve problemas. Arlete quer que sejam tomadas providências. "Estou muito sentida com essas notícia porque também sou mãe. Precisam solucionar este problema. O povo é quem sempre sofre".

O Ministério Público Estadual (MPES) vai apurar as sete mortes de bebês ocorridas em janeiro e fevereiro deste ano e avaliar o histórico de cada caso. O Conselho Regional Medicina (CRM-ES) decidiu abrir sindicância para também apurar o caso.

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