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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Anvisa lança cartilha que esclarece mitos e verdades sobre o armazenamento do cordão umbilical

Segundo especialista, a chance de uma criança necessitar das próprias células-tronco é baixa












Getty ImagesA Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) lança, nesta sexta-feira (24), uma cartilha com verdades e mitos sobre o armazenamento de sangue do cordão umbilical e da placenta. A iniciativa surge como contraponto à propaganda de clínicas privadas, muitas vezes enganosa, explica o gerente-geral de Sangue, Tecidos, Células e Órgãos da agência, Daniel Coradi.
— Queremos esclarecer, trazer todas as informações necessárias para que as pessoas possam questionar: vale a pena recorrer a um serviço particular?”.
Armazenar sangue de cordão umbilical é prática cada vez mais comum no País

Segundo ele, há 17 bancos de sangue privados de cordão umbilical no País, que juntos armazenam aproximadamente 70 mil bolsas. O material, coletado no parto, é visto pelas famílias como precaução terapêutica: a criança quando crescer ou algum membro da família poderia se valer das células-tronco para o tratamento de doenças.
Mas, o presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, Carmino Antonio de Souza, avisa que a "estratégia não é barata".
— Famílias pagam de R$ 5 mil a R$ 7 mil para coletar o material no parto e cerca de R$ 800 anuais para manutenção. “É como vender terreno na lua. Algumas clínicas afirmam que as células poderão ser usadas para tratar Parkinson, Alzheimer e alguns tipos de câncer. Mas não há nada atualmente que comprove isso”.
A arte das fotos de nascimento: fotógrafas se especializam em partos

O sangue de cordão umbilical, assim como a medula, é rico em células-tronco. Atualmente, o material tem sido usado para tratar pacientes com doenças hematológicas. O tratamento é feito basicamente em bancos públicos, que armazenam células-tronco de doações, e para ter acesso é preciso apenas que haja compatibilidade.

Quando não há material compatível, a busca é feita em bancos de sangue umbilical do exterior, com os quais o País tem convênio. Segundo Coradi, a prática é comum. “
— Recebemos, em média, dois pedidos semanais.”
Ele diz que mais de 12 mil pacientes no mundo são tratados com transplantes de células-tronco armazenadas em bancos públicos. Há a possibilidade de o SUS financiar o uso do material do doador ou parente, se estiver disponível.

Segundo ele, a chance de uma criança necessitar das próprias células-tronco é baixa — das 45.661 unidades de sangue de cordão armazenadas nos bancos até 2010, só 3 foram usadas em transplante na própria pessoa. “Em muitos casos, o uso do sangue de cordão armazenado é contraindicado.” Isso porque pode ter o mesmo defeito. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Armazenar sangue de cordão umbilical "é como comprar terreno na Lua"

 

Fonte: http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=armazenar-sangue-cordao-umbilical-comprar-terreno-lua&id=8652&nl=nlds

11/03/2013

 

Com informações da Agência Brasil

Lucro para empresários

Apesar do nome longo e complicado, o "armazenamento de sangue de cordão umbilical para uso autólogo" é uma prática cada vez mais popular no Brasil.

O preço alto, que pode variar de R$ 2 mil a R$ 7 mil, além da manutenção anual que é, em média, R$ 500, não desestimula pais preocupados com o futuro bem-estar dos filhos.

Preocupados, mas não bem informados.

Para o presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Carmino Antônio Souza, a desinformação sobre o serviço faz com que a maioria das famílias pague um preço alto na esperança de uma promessa sem fundamento.

"As pessoas precisam saber que terão um gasto grande para manter uma célula sem nenhuma função. Elas acreditam que o que foi coletado é um seguro de vida para o filho. A coleta em si não é garantia de qualidade. É um negócio que tem favorecido vários empresários, mas o favorecimento das famílias é remoto", comentou. "É como comprar um terreno na lua. Pode até ser legal, mas você vai fazer o que com a escritura de um terreno na lua?" pergunta Souza

O médico ressaltou que no caso da leucemia, principal causa de câncer em crianças e a mais citada pelos bancos privados como forma de prevenção à saúde, a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante não deve ser realizado.

"Existem estudos que demonstram que o genoma da pessoa já traz essa predisposição à leucemia", contou, ao explicar que uma célula-tronco de outra pessoa seria mais eficaz. "E pode ser adquirida gratuitamente nos bancos públicos", completou.

Promessas vazias

Embora o número de bancos privados, atualmente 17, tenha se mantido o mesmo desde 2010, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que a quantidade de cordões armazenados vem crescendo substancialmente desde 2003. Entre 2009 e 2010, o número de cordões passou de 8.866 para 11.456.

O presidente da ABHH lembra que a terapia celular ainda está fase experimental e não há previsão de quando o tratamento com células-troncopoderá ser utilizado de forma sistemática e segura.

Outro ponto levantado por ele é que, mesmo que no futuro haja descobertas, passados cerca de 20 anos da coleta, a qualidade do sangue é reduzida.

Para o gerente da Anvisa, Daniel Coradi, os bancos privados não contribuem para a saúde pública. "Eles [os bancos] armazenam para uso próprio, reduzem a doação desses cordões para os bancos públicos e prejudicam a política nacional para transplante baseada no altruísmo".

Preocupada com a questão, a Anvisa vai lançar, no fim de março, uma cartilha para alertar os futuros pais sobre o armazenamento do sangue de cordão umbilical para uso próprio.

Coradi explicou que a iniciativa, que conta com o apoio do Instituto Nacional do Câncer (Inca), foi impulsionada pela constatação de que muitos pais pagam caro para congelar o sangue dos cordões umbilicais dos filhos na crença de que estão adquirindo um seguro de vida.

"Na verdade, o uso dessas unidades é muito restrito. E nosso intuito é esclarecer aos pais essa realidade para que eles tomem uma decisão consciente," disse Coradi. "Alguns bancos acabam fazendo propaganda sobre o uso da célula para o tratamento de uma série de doenças, o que ainda está sendo pesquisado."

Panfletos em salas de espera de consultórios ginecológicos e de maternidades são facilmente encontrados com a promessa de salvar a vida do bebê por meio do uso do sangue do cordão umbilical do próprio recém-nascido em casos de doenças futuras, hoje incuráveis. Os preços podem variar de R$ 2,5 mil a R$ 7 mil e ainda existe a taxa de manutenção que varia entre R$ 500 e R$ 700.

Em abril de 2010, a Anvisa determinou adequações no material publicitário de bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário para uso autólogo, depois de identificar itens irregulares, como informações que possibilitariam interpretação errônea a respeito da utilização das células do sangue de cordão umbilical e placentário, resultando em falsa sensação de segurança para os pais ao adquirir um serviço que, de fato, não tem meios de assegurar a saúde futura dos filhos. Um ponto pouco esclarecido para os pais é que crianças prematuras costumam ter uma quantidade de sangue no cordão umbilical insuficiente para a coleta.

Bancos públicos de sangue de cordão umbilical

E o Brasil vai ganhar até 2014 mais cinco bancos de sangue de cordão umbilical e placentário para integrar a rede brasileira, Brasilcord, criada em 2004, que conta atualmente com 12 bancos públicos desse tipo de sangue. O coordenador da BrasilCord, Luiz Fernando Bouzas, informou que uma unidade será inaugurada em Minas Gerais, em meados deste ano.

O investimento médio em cada banco da expansão da rede foi R$ 3,5 milhões, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Já existem quatro bancos em São Paulo, devido à densidade populacional, um no Rio, um no Paraná, em Curitiba, no Rio Grande do Sul, Ceará, Pará e em Pernambuco.

"Ainda faltam cidades importantes devido a características genéticas para serem cobertas. E os próximos bancos serão construídos nos próximos dois anos nos estados do Amazonas, Maranhão, da Bahia, de Mato Grosso do Sul. Com esses 17 bancos, esperamos ter a cobertura de todo o território nacional, com uma amostragem da população brasileira armazenada," disse Bouzas.

"As doações ocorrem de forma organizada, dentro de maternidades conveniadas, onde as pessoas estão treinadas para coletar o melhor material possível," informou o coordenador da Brasilcord. "O nosso aproveitamento do que é coletado nas maternidades no Brasil fica entre 60% e 70%".

Atualmente, entre 800 e 1.000 pessoas no Brasil buscam doadores compatíveis para transplante de medula óssea todos os anos. A coleta e o armazenamento de cada unidade custam em torno de R$ 3 mil para o Sistema Único de Saúde (SUS). A importação de unidades de sangue de cordão umbilical, vindas de registros internacionais, fica em torno de R$ 50 mil.

De acordo com Bouzas, que também é diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca), atualmente há doadores para cerca de 70% dos pacientes, 50% no Brasil e mais 20% no exterior, por meio de convênios com redes internacionais de bancos de sangue de cordão. Ele explicou que entre 10% e 20% das pessoas que precisam de transplante de medula óssea não têm doador compatível devido às suas características genéticas muito selecionadas. "Nesses casos, deve-se buscar doadores os mais compatíveis possíveis".

O transplante de medula óssea é indicado para pacientes com leucemia, linfoma, anemia grave, anemia congênita, hemoglobinopatia, imunodeficiência congênita, mieloma múltiplo, além de outras doenças do sistema sanguíneo e imune.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Anvisa lançará cartilha sobre reais benefícios de armazenar sangue de cordão umbilical

 

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/saude/2013/03/anvisa-lancara-cartilha-sobre-reais-beneficios-de-armazenar-sangue-de-cordao-umbilical

Por: Flávia Villela, da Agência Brasil

Publicado em 09/03/2013, 17:08

Última atualização às 17:08

Rio de Janeiro - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai lançar, no fim deste mês, cartilha para alertar os futuros pais sobre os reais benefícios de armazenar o sangue de cordão umbilical para uso próprio, também conhecido como autólogo.

O gerente de Tecidos, Células e Órgãos da Anvisa, Daniel Roberto Coradi de Freitas, explicou que a iniciativa, que conta com a parceria do Instituto Nacional do Câncer (Inca), foi impulsionada pela constatação de que muitos pais pagam caro para congelar o sangue dos cordões umbilicais dos filhos na crença de que estão adquirindo um seguro de vida.

“Na verdade, o uso dessas unidades é muito restrito. E nosso intuito é esclarecer aos pais essa realidade para que eles tomem uma decisão consciente”, disse Coradi. “Alguns bancos acabam fazendo propaganda sobre o uso da célula para o tratamento de uma série de doenças, o que ainda está sendo pesquisado”, acrescentou.

Panfletos em salas de espera de consultórios ginecológicos e de maternidades são facilmente encontrados com a promessa de salvar a vida do bebê por meio do uso do sangue do cordão umbilical do próprio recém-nascido em casos de doenças futuras, hoje incuráveis. Os preços podem variar de R$ 2,5 mil a R$ 7 mil e ainda existe a taxa de manutenção que varia entre R$ 500 e R$ 700.

No Brasil, os bancos privados de sangue de cordão umbilical têm licença de funcionamento, emitida pelo órgão de vigilância sanitária, para executar exclusivamente atividades afetas ao armazenamento, com o fim de utilização pelo próprio recém-nascido, mas alguns têm se utilizado de manobras jurídicas para tratar parentes do detentor do cordão umbilical armazenado, que é proibido por lei, já que essa é competência do banco público, gratuito e universal.

O uso autólogo das células-tronco é justificado por entidades médicas para os casos de alto risco genético para doenças, entre elas anemias hereditárias, como talassemia, doença falciforme.

Em abril de 2010, a Anvisa determinou adequações no material publicitário de bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário para uso autólogo, depois de identificar itens irregulares, como informações que possibilitariam interpretação errônea a respeito da utilização das células do sangue de cordão umbilical e placentário, resultando em falsa sensação de segurança para os pais ao adquirir um serviço que, de fato, não tem meios de assegurar a saúde futura dos filhos. Um ponto pouco esclarecido para os pais é que crianças prematuras costumam ter uma quantidade de sangue no cordão umbilical insuficiente para a coleta.

A gerente de Produção do maior banco privado de sangue de cordão umbilical do país, Cryopraxis, Janaína Machado, admitiu que existem no mercado propagandas enganosas, mas defendeu a existência dos bancos privados, que, segundo ela, podem ser úteis para pacientes que não encontram doadores compatíveis nos bancos públicos.

“É preciso ter muito cuidado com o tipo de propaganda, mas não se pode colocar todos os bancos no mesmo saco. É uma atividade regulamentada pela Anvisa e cabe às agências reguladoras analisar caso a caso,” disse ela. “É dever do Estado prover saúde a todos os brasileiros, mas o Estado não tem a capacidade de prover saúde para todos. Não é justo que quem possa pagar pelo privado utilize o serviço  público”, comentou.

O armazenamento privado é proibido em vários países e condenado pela Comunidade Europeia. Nos Estados Unidos, a prática é permitida. A expansão desse tipo de atividade no Brasil preocupa as entidades médicas, como a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) e a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula, que defendem que o uso comercial do cordão umbilical autólogo não tem respaldo científico, clínico ou terapêutico.

Coradi ressaltou que a Anvisa regula a qualidade e a segurança desses produtos e que não é de sua alçada aprovar ou proibir essa atividade comercial. “Nós regulamentamos a atividade, porque ela já existia. A proibição, se for o caso, deve ser feita por lei. O Congresso Nacional e o ministério devem se articular para definir se isso deve ser proibido e como.”

De acordo com o diretor do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Inca no Rio e coordenador da Rede Pública de Bancos de Sangue de Cordão, Luis Fernando Bouzas, proibir esses bancos não é a melhor opção e a informação é a melhor forma de conscientizar a população sobre essa atividade.

“Acho que proibir é pior. Em países onde se proibiu, choveram ações judiciais, passaram a congelar em outros países. Acho que o melhor é informar e criar bancos públicos”, comentou.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Doação de Cordão Umbilical

 

Fonte: MEDULA ÓSSEA em http://www.medulaossea.org/?p=34

Publicado em 13 de fevereiro de 2013, por admin em Informações.

Em 2001, o INCA inaugurou o Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário (BSCUP), o primeiro banco desse tipo do Brasil, visando aumentar as chances de localização de doadores, para os pacientes que necessitam de transplante de medula óssea.

A criação de bancos de cordão criopreservados pode facilitar a busca de doadores para transplante, superando, assim, algumas limitações dos registros de doadores voluntários. O cordão congelado é um substituto da Medula Óssea que pode ser usado rapidamente diminuindo o tempo de busca de um doador compatível, o material está disponível para utilização imediata.

O transplante com células tronco de cordão umbilical exige menor compatibilidade ou seja, basta compatibilidade entre A, B em baixa resolução e classe II DRB1 em alta resolução, sendo aceitável a compatibilidade de 4 locus em 6 locus testados.

Em 2004, a Portaria Ministerial n 2381, criou oficialmente, em âmbito nacional, a Rede BrasilCord, que é coordenada pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) e agrega os bancos públicos de Scup.

Participam desse grupo os seguintes serviços:

- INCA- CEMO – Rio de janeiro- RJ

- Hemocentro de Ribeirão Preto- SP

- Unicamp-Campinas-SP

- Hospital Albert Einstein-São Paulo-SP

As chances de um brasileiro localizar um doador em território nacional é maior que a chance de encontrar o mesmo doador no exterior, segundo pesquisa realizada pelo Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). Isso ocorre devido às características genéticas comuns à população brasileira.

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O sangue do cordão umbilical e placentário é utilizado para que tipo de tratamento?

Durante a gravidez, o oxigênio e nutrientes essenciais passam do sangue materno para o bebê por meio da placenta e do cordão umbilical. O sangue que circula no cordão umbilical é o mesmo do recém-nascido.

Quando pesquisadores identificaram no cordão umbilical um grande número de células-tronco hematopoéticas, que são capazes de regenerar a medula óssea, este sangue adquiriu importância para pessoas que necessitam do transplante.

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As células-tronco hematopoéticas podem ser utilizadas em tratamento de outras doenças?

Sim, mas a fonte utilizada atualmente para indicações diferentes do transplante de medula óssea, como a medicina regenerativa de determinados órgãos, são as células-tronco da medula óssea do próprio indivíduo.

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O tecido do próprio cordão também possui células-tronco?

Esta é mais uma especulação desta área. Há conhecimento de que existem células-tronco em vários tecidos do organismo há pelo menos 10 anos. Sua obtenção, entretanto, é difícil, cara e ainda sem utilidade prática. No campo da ciência é prudente aguardar que os resultados deixem o campo da experimentação e sejam aplicados na prática médica.

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As células-tronco do SCUP são células-tronco embrionárias?

Não, as células-tronco do SCUP têm características adultas, porém são mais imaturas e ainda pouco estimuladas.

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O que é Brasilcord?

É uma rede que reúne os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical. Hoje, estão em funcionamento as unidades do INCA, do Hospital Albert Einstein e dos hemocentros da Unicamp e de Ribeirão Preto. Estão previstos sete novos bancos públicos, que serão instalados nos próximos três anos em todas as regiões do país, para contemplar a diversidade genética da população brasileira.

O INCA é responsável pela coordenação da Rede. A Portaria Ministerial nº 903/GM de 16/08/2000 e o RDC da Anvisa 153 de 14/06/2004HYPERLINK “http://e-legis.bvs.br/leisref/public/showAct.php?id=11662&word=” regulamentam os procedimentos da Rede. A criação da Rede Brasilcord foi regulamentada pela Portaria Ministerial nº 2381 de 28/10/2004.

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Como é feita a doação do sangue do cordão para um Banco Público?

A doação é realizada em maternidades credenciadas do programa da Rede BrasilCord, que reúne os bancos públicos de sangue de cordão. Existem alguns controles no momento da coleta do sangue do cordão, necessários para um bom aproveitamento das unidades.

Portanto, não se trata de uma doação universal como ocorre com sangue e que pode ser feita em qualquer hospital ou por qualquer pessoa, sendo limitada aos hospitais que fazem parte do programa.

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Como é feita a coleta de SCUP?

Após o nascimento, o cordão umbilical é pinçado (lacrado com uma pinça) e separado do bebê, cortando a ligação entre o bebê e a placenta.

A quantidade de sangue (cerca de 70 – 100 ml) que permanece no cordão e na placenta é drenada para uma bolsa de coleta.

Em seguida, já no laboratório de processamento, as células-tronco são separadas e preparadas para o congelamento.

Estas células podem permanecer armazenadas (congeladas) por vários anos no Banco de Sangue de Cordão Umbilical e disponíveis para serem transplantadas. Cabe ressaltar que a doação voluntária é confidencial e nenhuma troca de informação será permitida entre o doador e o receptor.

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Quanto tempo o sangue do cordão pode ficar congelado?

O tempo é indefinido, existem bolsas de sangue de cordão congeladas há mais de 20 anos.

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Qualquer gestante está apta a doar?

Não, a gestante tem que atende a critérios específicos. Dentre eles, deve ter entre 18 e 36 anos, ter feito no mínimo duas consultas de pré-natal documentadas, estar com idade gestacional acima de 35 semanas no momento da coleta e não possuir, no histórico médico, doenças neoplásicas (câncer) e / ou hematológicdas (anemias hereditárias, por exemplo).

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Por que as doações não podem ser feitas em qualquer hospital?

O programa de doação trabalha com planejamento e eficiência. Não adianta quantidade sem qualidade porque seria desperdício coletar sem que o procedimento tenha sido realizado por equipe treinada ou com critério. O planejamento segue as normas internacionais. Há pelo menos dois hospitais conveniados para cada Banco da Rede BrasilCord. São hospitais públicos ou com credenciamento específico para coleta.

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Quais são as vantagens do SCUP?

A principal vantagem é que as células do cordão estão imediatamente disponíveis. Não há necessidade de localizar o doador e submetê-lo à retirada da medula óssea. Além disso, não é necessária a compatibilidade total entre o sangue do cordão e o paciente.

Com o uso do cordão umbilical é permitido algum nível de não compatibilidade, ao contrário do transplante com doador de medula óssea, que exige compatibilidade total.

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Existem desvantagens?

A maior desvantagem é que o número de células-tronco é limitado. Assim, existe um limite de peso para o paciente, em função da quantidade de células-tronco retiradas do sangue do cordão.

Em geral o sangue de cordão é adequado para crianças e adultos até 50kg. No entanto, hoje se utiliza uma técnica de adicionar dois cordões para um mesmo paciente, o que proporciona o uso em adultos com maior peso. Há um tempo mais prolongado para a pega do enxerto quando a fonte de células utilizada é o cordão.

Outra limitação para o uso do cordão é não haver possibilidade de uma nova doação.

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Onde o INCA está recolhendo os cordões?

O material é coletado atualmente no município do Rio em três maternidades: Maternidade Municipal Carmela Dutra, Hospital Naval Marcílio Dias e na Pró Matre. Nas maternidades, o INCA possui uma equipe de enfermeiras devidamente especializadas e capacitadas para a triagem e coleta de SCUP, de segunda a sexta-feira, de 7h às 19h.

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Existe algum risco para a mãe ou para o bebê?

Não, não existe nenhum risco. Lembre-se que tanto a placenta, quanto o sangue que fica armazenado nela, têm sido tratados, até então, como lixo. Obviamente, as equipes de coleta atuam somente com o consentimento do obstetra, garantindo que nada interfira no parto.

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O que acontece após a doação?

As unidades coletadas recebem um identificador numérico que passa a ser a identidade da bolsa. Toda referência à ela passa a ser realizada com esse número, e não mais com o nome da gestante. A unidade é então levada ao laboratório, no INCA, onde passará por diversas etapas.

Inicialmente é avaliado o número de células presentes na unidade. Caso o número destas seja suficiente para um transplante, a mesma é processada,tendo seu volume reduzido a 20ml e congelada (criopreservada). Assim, a unidade fica aguardando os resultados dos exames realizados, inclusive exames maternos, que avaliarão a presença de marcadores para doenças infecto-contagiosas do sangue.

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Então, o SCUP coletado e congelado já está pronto para transplante?

Não, a legislação vigente prevê que, para uma unidade ser liberada para transplante, se deve repetir os exames sorológicos da mãe, em um período de dois a seis meses, após o parto. Isso é muito importante, pois sem esse novo exame todo o trabalho terá sido em vão, e a unidade não poderá ser utilizada.

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Quanto tempo depois da doação, então, a unidade fica disponível para transplante?

Somente de 3 a 6 meses depois do parto as unidades são liberadas para uso. Durante este tempo, são realizados testes no sangue do cordão para excluir doenças infecciosas e genéticas. Este é um procedimento de segurança, para evitar as janelas imunológicas das doenças infecciosas.

Como hoje existem testes mais precisos, principalmente para HIV e hepatite, será proposta à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a alteração desta norma, para que as unidades com estes testes negativos sejam liberadas mais rapidamente, sem obrigatoriedade dos testes de seguimento da mãe.

Desta forma, haverá um crescimento mais rápido e eficiente do número de unidades disponíveis para uso, nos moldes do que acontece na maioria dos países que possuem Bancos de Sangue de Cordão públicos. O aproveitamento final, depois de exclusão por critérios de segurança e qualidade (contagem mínima das células e volume), é de cerca de 40% das unidades coletadas.

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Caso o filho(a) da gestante que doou seu SCUP necessitar de um transplante de células-tronco, ele(a) terá prioridade?

Não. Entenda que a doação, por todos os fatores que mencionamos, não significa que o material foi crioprerservado, pois terá que atender critérios de qualidade estipulados pela lei. Uma vez que o SCUP esteja criopreservado e disponível para uso, caso não tenha sido utilizado por outro paciente, o mesmo será selecionado para o doador.

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Quantas coletas são feitas em cada maternidade por dia?

São coletados, em média, de três a cinco cordões em cada maternidade, por dia.

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Quanto custa este procedimento?

A doação é gratuita. Nenhuma gestante que adere ao programa de doação dos Bancos Públicos tem qualquer custo. A coleta e o armazenamento de cada unidade custam em torno de R$ 3 mil para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Já a importação de unidades de sangue de cordão umbilical, vindas de registros internacionais, fica em torno de R$ 50 mil.

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Qual a capacidade do Banco?

O Banco do INCA possui dois tanques com capacidade para estocar cerca de 10.000 mil unidades. Neste espaço estão armazenados, até o momento, 4.000 bolsas.

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Como os pacientes receberão estas células?

O processo de transplante é semelhante ao utilizado com doador de medula óssea, ou seja, após um regime de preparação com quimioterapia e/ou radioterapia, o paciente recebe as células-tronco em um procedimento semelhante a uma transfusão.

Os pacientes com indicações para transplante não-aparentado deverão ser cadastrados pelo Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME). O médico insere no sistema características da doença, dados cadastrais do paciente e o resultado do teste de HLA, um teste genético.

Depois, é feito um cruzamento de informações entre o REREME e o Registro de Doadores de Medula Óssea (REDOME), que inclui os dados das unidades armazenadas em bancos da Rede BrasilCord e dos doadores voluntários, a fim de identificar um doador ou unidade de cordão compatível.

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Existem bancos semelhantes no exterior?

Sim. No exterior, existem mais de cem bancos, com mais de 180 mil unidades de cordão congeladas.

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Ainda é muito difícil encontrar doador compatível para os pacientes brasileiros, mesmo com o aumento das unidades de sangue de cordão em Bancos Públicos?

Está cada vez mais fácil encontrar um doador porque os Bancos Públicos de Sangue de Cordão e os Registros de Doadores Voluntários estão se multiplicando em todo o mundo. Hoje, encontramos doadores para cerca de 70% dos pacientes, 50% no Brasil e mais 20% no exterior.

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Quais as principais diferenças entre os bancos públicos e privados?

São serviços diferentes. O banco público disponibiliza as unidades imediatamente para quaisquer pacientes brasileiros que precisem de transplante de medula óssea e não tenham um doador familiar. A coleta é realizada com controles de qualidade e segurança e as unidades são utilizadas para indicações precisas, sem ônus para o paciente que irá se beneficiar.É a única modalidade recomendada pelos organismos internacionais e por publicações científicas.

O banco privado tem legislação específica, de cunho comercial, com ônus para as famílias que desejam armazenar o sangue. Além disso, as indicações e aproveitamento do material são duvidosos, já que não existem publicações extensas sobre os resultados obtidos com uso de cordões armazenados em bancos privados. Armazenar o sangue do cordão em um banco privado é uma aposta num futuro que a ciência ainda não comprovou.

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Qual o posicionamento do Ministério da Saúde com relação aos bancos privados?

O Ministério da Saúde e a coordenação da Rede Brasilcord são contrários a esta atividade, principalmente pela falta de utilidade pública e pela forma enganosa como tem sido feita a propaganda dos bancos privados. Os órgãos internacionais recomendam que não deve ser feito investimento público em bancos privados.

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Fonte: INCA / 2008

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