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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Lei que obriga tratamento em 60 dias para câncer começa a valer dia 23 de maio

Prazo começa a contar após identificação no prontuário, informou ministro.
Governo dará incentivo fiscal para doações que beneficiem serviço na área.
 


Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em coletiva nesta
quinta (16) (Foto: Mariana Oliveira/G1).


A lei que estabelece prazo de até 60 dias para que pacientes com câncer comecem o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) começa a valer em todo o país na próxima quinta-feira (23).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou nesta quinta (16) detalhes sobre a nova regra e informou que o prazo começa a ser contado a partir da inclusão do laudo que confirmou o diagnóstico no prontuário do paciente.
O intervalo de dois meses é válido para que o paciente passe por cirurgia ou inicie sessões de quimioterapia ou radioterapia.
A nova regra tem apenas três exceções de casos que não precisam ser tratados dentro desse prazo: câncer de pele não melanoma, câncer de tireoide que não seja de alto risco e casos sem indicação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Segundo explicou a coordenadora de Oncologia do MInistério da Saúde, Patrícia Sampaio, em algumas dessas situações o tratamento com remédios começa imediatamente após o diagnóstico.
A nova legislação que obriga o tratamento foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 23 de novembro de ano passado (o texto previa que a regra passaria a vigorar em 180 dias).
De acordo com Padilha, os pacientes deverão buscar os equipamentos de saúde do município e poderão cobrar a Secretaria Municial de Saúde caso o prazo máximo esteja próximo do fim e o tratamento não tenha começado. "Sabemos que será um grande desafio para os municípios cumprir o prazo, mas é preciso que o cidadão busque informações nos equipamentos de saúde. [...] O ministério também terá uma comissão de acompanhamento de cumprimento dos prazos em todo o país", disse.
Segundo ele, a partir desta quinta (16),  municípios e estados terão acesso ao Sistema de Informação do Câncer (Siscan), que reunirá o histórico de todos os pacientes e do tratamento de cada um. Prefeituras e governos estaduais serão obrigados a cadastrar as informações no sistema a partir de agosto. Quem não fizer, terá repasses suspensos por parte do governo federal.
Dados do ministério - que têm desasafem de dois anos e foram coletados após entrevistas com pacientes - mostram que, antes mesmo da nova lei, 78% dos casos de câncer em estágio inicial já são tratados em até 60 dias; nos casos de câncer em estágio avançado, o percentual sobe para 79%. As informações mostram ainda que 95% das crianças e adolescentes começam a ser tratados dentro desse prazo.
Conforme Padilha, apesar dessas informações positivas, há grande desigualdade em relação ao tratamento em cidades mais distantes dos grandes centros urbanos. "Queremos reduzir as desigualdades em relação ao tratamento de câncer no país. Queremos que todos sejam tratados em 60 dias."
Segundo o ministro, um dos principais entraves para cumprimento dos prazos é a falta de médicos oncologistas no Brasil. Para tentar solucionar a questão, disse ele, há convênios com hospitais para abertura de vagas em residência médica. O Ministério da Saúde também está investindo na compra de equipamentos, informou Padilha.
Incentivo fiscal
O governo também informou que dará incentivo fiscal a pessoas físicas e jurídicas que fizerem doações para iniciativas de prevenção e combate ao câncer. Pelas regras, o contribuinte poderá deduzir até 1% do Imposto de Renda devido.
Primeiramente, as entidades interessadas precisarão apresentar projetos na área assistencial, formação de profissionais e pesquisas. As iniciativas serão avaliadas pelo Ministério da Saúde. Se os projetos forem aprovados, as pessoas ou empresas que fizerem doações terão o benefício fiscal.
As doações podem ser feitas por transferência de valores ou cessão de bens móveis, material de consumo, hospitalar, medicamentos ou itens de alimentação. "Além de contribuir fortemente para humanizar o atendimento às pessoas com câncer, [o incentivo] certamente será um estímulo para pesquisas", avaliou o ministro Alexandre Padilha.
Dados sobre o câncer
O governo apresentou estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) de que 518 mil casos de câncer sejam diagnosticados somente neste ano. Somente no ano passado, foram mais de 500 mil casos constatados e o gasto público por internações com câncer foi de R$ 806 milhões. Trata-se da segunda doença que mais mata no Brasil, depois apenas das complicações cardiovasculares.
Entre as mulheres, o câncer que mais mata é o de mama - foram 12.705 casos entre 2010 e 2011 que representaram 15,3% das mortes femininas no país. Já entre os homens o câncer de traqueia, brônquios e pulmões somou 13.677 casos no mesmo período, alcançando 14,2% dos óbitos.
De acordo com o ministro Alexandre Padilha, a população também precisa melhorar hábitos como forma de prevenção da doença. "É um problema de saúde pública que será cada vez mais presente por conta do modelo de vida, urbanização e do envelhecimento da população. [...] A prevenção do câncer, antes de mais nada, é não fumar, ter hábitos saudáveis, fazer exercícios."



sábado, 18 de maio de 2013

Brasileiros criam teste mais preciso e barato para detectar vírus HTLV

Pesquisadores do Hemocentro da USP de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) desenvolveram um kit de diagnóstico molecular mais eficiente e barato do que o teste atual para o vírus HTLV, que pode causar câncer no sangue e paralisia dos membros inferiores.

O kit, formado por reagentes e instrumentos de análises clínicas, confirma a existência do vírus e o seu tipo (se 1 ou 2). Segundo os pesquisadores, o exame pode custar até 10% do preço do mais usado atualmente, sorológico.
De acordo com o pesquisador Maurício Rocha, o exame atual tem resultados indeterminados em até 40% dos casos. O novo kit, afirma ele, é 100% eficaz. "O kit detecta o genoma do vírus no paciente, e não os anticorpos criados por ele."
A origem da pesquisa está na necessidade de diagnosticar o vírus para evitar novas contaminações. Estudos estimam que, no Brasil, 2,5 milhões de pessoas são portadoras do vírus, mas em apenas 5% delas as doenças se manifestam.
A principal forma de transmissão do vírus é de mãe para filho, pela amamentação. Porém, o exame não integra o protocolo do pré-natal das gestantes. A medida, segundo os especialistas, poderia impedir a transmissão vertical.
As outras formas de contaminação são relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de agulhas e seringas e transfusões de sangue. Desde 1993, nos bancos de sangue, os exames para detecção do vírus são feitos.


O HTLV não tem cura e tratamento definitivo. A aposentada Sandra de Castro do Valle, 59, de Niterói (RJ), descobriu em 2005 que era portadora do vírus. Ela afirmou que após investigações, confirmou que a contaminação foi pela mãe.
"Por causa do diagnóstico tardio, inclusive, transmiti o vírus para o meu ex-marido. Graças a Deus meus filhos não desenvolveram o HTLV", disse ela, que faz tratamento paliativo com corticoides na medula para evitar inflamação e dores nas costas.
Ela montou uma ONG para difundir o conhecimento do vírus e auxiliar portadores no acesso a tratamentos. "Nós não temos atendimento que deveríamos. O acolhimento é feito apenas nos institutos de pesquisa."

VENCESLAU BORLINA FILHO
DE RIBEIRÃO PRETO




quinta-feira, 16 de maio de 2013

Gasto per capita do Brasil com saúde é menor que média mundial. Os investimentos estão crescendo - em 10 anos, orçamento da área aumentou quatro vezes, segundo a OMS.


O governo brasileiro gasta menos que a média mundial com a saúde de seus cidadãos. Dados divulgados ontem em Genebra pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o País de fato avançou na última década em relação aos investimentos na área. O resultado, porém, ainda o coloca em uma posição inferior à média global. Hoje, mais da metade das necessidades de saúde de um brasileiro é paga pelo próprio cidadão, não pelos serviços públicos.
As informações foram divulgadas na semana que antecede a Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra.
Na ocasião, será feita uma avaliação do setor no mundo. Está prevista a participação de ministros da Saúde de vários países, entre eles o brasileiro Alexandre Padilha.
Segundo os dados, os gastos públicos mundiais com a saúde de cada cidadão chegou a US$ 571 por ano em 2010, a última cifra disponível em escala mundial. No Brasil, esse gasto per capta somou US$ 466/ano.
A OMS destaca que, em uma década, o orçamento do setor no País cresceu quatro vezes. Em 2000, o governo destinava US$ 107 à saúde de cada cidadão.
Mas esse aumento não foi suficiente para acabar com a profunda distância do Brasil em relação aos países ricos.
Os Estados Unidos gastam anualmente, per capita, US$ 3,7 mil; na Holanda, são US$ 4,8 mil e na Noruega, US$ 6,8 mil.
Na outra ponta dos investimentos está o Congo, na África, com US$ 4 per capita por ano, e a Libéria, com US$ 8.
Orçamento. A OMS também ressaltou a defasagem que existe entre o Brasil e a média mundial em relação ao porcentual do orçamento público investido na saúde.
De acordo com a organização, 15,1% do orçamento público do mundo vai para a saúde - no País, a taxa era de 10,7% em 2010; entre os demais países emergentes, 11,7%. Dez anos antes, o governo brasileiro destinava apenas 4,1%.
Segundo a OMS, dos gastos totais de um cidadão com saúde, o governo brasileiro cobre 47% do valor, anualmente.
A taxa é superior aos 40% observados em 2000. Isso significa que o brasileiro está gastando, em termos porcentuais, menos dinheiro do próprio bolso para custear sua saúde.
No entanto, mais uma vez, o índice está abaixo da conta global. Na média mundial, governos garantem 56% de cobertura. Nos demais países emergentes, a taxa é um pouco superior à do Brasil: 48%.
Nos últimos dez anos, o brasileiro passou a gastar significativamente mais dinheiro com saúde. Somando gastos privados e investimentos do Estado, cada cidadão investe hoje US$ 990 por ano na própria saúde. No ano 2000, esse valor era de apenas US$ 265.
Expectativa de vida. Se os gastos públicos brasileiros ainda não alcançaram a média mundial, a expectativa de vida aumentou de forma significativa nos últimos 20 anos, informou ontem a OMS.
No início dos anos 1990, uma pessoa vivia no Brasil uma média de 67 anos. Em 2011, essa expectativa atingiu os 74 anos. Nos países ricos, há dois anos a taxa era de 80 anos. 

Jamil Chade / Genebra - O Estado de S.Paulo

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