segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

4 de fevereiro - Dia Mundial do Câncer

 

Fonte:  INCA (Instituto Nacional do Câncer) em http://www1.inca.gov.br/wcm/dmdc/2013/dia-mundial-cancer.asp

ScreenShot007
MITOS E VERDADES AQUI

O Dia Mundial do Câncer é uma iniciativa da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) que tenta evitar milhões de mortes a cada ano por meio do aumento da consciência e educação sobre doença, além da pressão sobre governos e indivíduos em todo o mundo para que se mobilizem pelo controle do câncer. 

O tema deste ano são mitos universais sobre o câncer, que precisam ser desconstruídos:

Câncer é apenas um problema de saúde

Câncer é uma doença de idosos 

Câncer é questão de destino 

O câncer é uma sentença de morte

Depois de alguns anos focando exclusivamente no tópico prevenção, a campanha do Dia Mundial do Câncer deste ano está centrada no quinto alvo da Declaração Mundial do Câncer: Acabar com os mitos e equívocos sobre o câncer. Com o slogan "Câncer - Você sabia?", o Dia Mundial do Câncer 2013 é uma chance de partilhar fatos reais sobre o câncer e eliminar equívocos em torno da doença.

Instituído em 2005, o Dia Mundial do Câncer é celebrado todo dia 4 de fevereiro por diversos países. No ano passado, 80 países se mobilizaram em torno da data.

No Brasil, a iniciativa tem apoio do INCA, que é instituição parceira da UICC, considerada estratégica para o controle do câncer na América Latina.

“Com o crescimento e o envelhecimento da população no Brasil, é esperado que o número de casos de câncer aumente no País. Mas isso não significa que todas as pessoas quando envelhecerem vão ter câncer. Entre 30% a 40% dos casos da doença podem ser evitados com hábitos saudáveis: não fumar, ter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, controlar o peso e o consumo de álcool e usar proteção solar. Esse é a principal mensagem do Dia Mundial do Câncer este ano: existe prevenção e hábitos saudáveis devem ser adotados, se possível, desde a juventude. É preciso que todos aprendam a se proteger e evitem se expor desnecessariamente a fatores de risco para o câncer.”
Luiz Antonio Santini

Diretor-geral do INCA

“É o medo e a ignorância que fazem com que o câncer se torne um problema maior que o necessário, especialmente nos países em desenvolvimento, como a Índia. Trabalhando em conjunto, podemos alcançar o nosso objetivo mútuo de derrotar o câncer em nossas vidas.”

Y. K. Sapru

Fundador e presidente da Associação de Cuidados de Pacientes de Câncer Índia

“Há uma vasta gama de mitos e desinformação sobre o câncer, particularmente on-line onde isso cresce exponencialmente. O grande volume dessas desinformações ameaça conselhos de saúde baseados em evidências e que podem fazer diferença real na redução do risco de câncer. Pessoas que leem informações não confiáveis on-line sobre as causas de câncer são menos propensos a tomar atitudes simples que comprovadamente reduzem o risco de câncer – não fumar, evitar o sol, manter peso saudável e reduzir a ingestão de álcool.

Professor Ian Olver

Diretor-presidente, Conselho de Câncer da Austrália

DENGUE: veja como usar a canela para espantar os mosquitos

 

Fonte: G+ ENTRETENIMENTO em http://www.dihitt.com.br/barra/receita-caseira-para-afastar-mosquitos-1

Receita caseira para afastar mosquitos

Redação: André Barbosa.  Imagem: freedigitalphotos.net

canela

É comum encontrarmos mosquitos em nossa casa, principalmente em locais que possuem alimentos, lixo e pessoas, pois alguns mosquitos são hematófagos (se alimentam de sangue), eles incomodam muito com picadas e zumbidos.

Normalmente as pessoas usam inseticidas que contém substâncias químicas que podem contaminar certos alimentos e também ser inalado, fazendo muito mal à saúde.

Existe outra forma de resolver este problema de uma maneira prática, natural e saudável. Os mosquitos são uma praga que podem oferecer riscos infectantes a nossa família, transmitindo doenças graves que podem levar até à morte.

Uma maneira de repelir os mosquitos é o uso da canela, isso mesmo, a canela possui uma ação e um odor que os mosquitos detestam e fogem quando sentem o cheiro.

Prefira a canela fresca, assim como outros alimentos, a canela fresca libera um odor mais intenso. Você pode por um punhado da canela em pó sobre superfícies planas onde normalmente os mosquitos aparecem. Você também pode por em pequenos panos (ou lenços de papel) e colocar sobre os lugares onde os mosquitos frequentam.

MS anuncia produção de insulina no Brasil

 

Fonte: PORTAL DA SAÚDE em http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/9033/162/ministerio-da-saude-anuncia-producao-de-insulina-no-brasil.html

Data de Cadastro: 23/01/2013 as 15:54:51 alterado em 25/01/2013 as 20:19:00

DIABETES


Previsão é que em três anos país passe a fabricar medicamento em escala industrial. Medida contribuirá para a ampliação da assistência a 7,6 milhões de diabéticos, dos quais 900 mil dependem exclusivamente do SUS

A partir deste ano, o Brasil inicia as atividades de produção de cristais de insulina – princípio ativo deste medicamento, utilizado no tratamento de diabetes – por meio do Laboratório Farmanguinhos da Fundação Oswaldo Cruz. Este acordo também amplia a oferta de insulina aos pacientes assistidos pelo SUS, o Ministério da Saúde adquiriu mais 3,5 milhões de frascos do medicamento, quantitativo que será entregue ao país no próximo mês de abril e poderá chegar a 10 milhões de frascos até dezembro, se necessário.

As medidas estão asseguradas pela parceria entre o Ministério da Saúde e o laboratório ucraniano Indar – um dos três produtores de insulina no mundo, com quem o ministério tem acordo de transferência de tecnologia para a produção nacional do medicamento. A previsão é que em três anos (2016) o Brasil produza Insulina NPH em escala industrial.

“Nosso esforço é para que os pacientes tenham a segurança de receber um medicamento de alta qualidade, produzido aqui no país”, destaca o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Além disso, queremos reduzir a vulnerabilidade do país no mercado internacional de medicamentos, incentivar a produção nacional de ciência e tecnologia e fortalecer a indústria farmacêutica brasileira”, completa o ministro. Estudos mostram que 7,6 milhões de brasileiros têm diabetes. Destes, cerca de 900 mil dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde para a obtenção de insulina.

OUTRA NOVIDADE– Para retomar a estratégia de desenvolvimento produtivo e tecnológico na área da saúde, o Ministério da Saúde – por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – estabelecerá uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o laboratório privado Biomm. A empresa brasileira detém tecnologia totalmente nacional e inovadora para a produção de insulina, que foi patenteada em conjunto com a Universidade de Brasília e é reconhecida por países com os EUA e o Canadá, além da Comunidade Europeia.

“Este estímulo do Ministério da Saúde trará de volta, para produzir no país, a antiga líder nacional, que se retirou do mercado farmacêutico brasileiro no começo dos anos 2000”, observa Alexandre Padilha, em referência à Biobrás. “Isto dá mais segurança aos pacientes e ao SUS”, acrescenta o ministro.

“Esta parceria permitirá ao Brasil obter todo o ciclo de produção de insulina, possibilitando que o país conquiste autonomia tecnológica para a consequente eliminação de dificuldades de abastecimento do medicamento e de vulnerabilidade em relação a flutuações de preços no mercado mundial”, afirma o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. A PDP entre a Fiocruz e a Biomm será submetida ao Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (Gecis), formado por representantes do governo, sob a coordenação do Ministério da Saúde, que também conta com a participação do Fórum Permanente de Articulação com a Sociedade Civil.

CRONOGRAMA– Um novo cronograma de entrega de Insulina NPH pelo laboratório Indar e de transferência de tecnologia para a produção nacional do medicamento foi estabelecido a partir da revisão da parceria entre a empresa ucraniana e a Fiocruz. Os ajustes foram respaldados pela Portaria 873, assinada pelo ministro Alexandre Padilha em abril do ano passado, e pela Lei 12.715, do último mês de setembro, que definiram um novo marco regulatório para a aquisição e produção nacional de medicamentos e outros produtos em saúde.

Pelo novo cronograma, o início da produção de cristais de insulina pela Fiocruz já começa este ano. A fábrica de produção dos cristais (princípio ativo do medicamento) estará estruturada em 2014. No ano seguinte, serão realizados os testes, qualificações e ajustes técnicos para a validação das instalações produtivas.

Em 2016, a transferência de tecnologia pelo laboratório Indar à Fiocruz estará concluída para o início da produção de insulina em escala industrial. E, em 2017, o país estará preparado para a fabricação verticalizada (em grande escala) do medicamento. Calcula-se que a parceira entre a Fiocruz e o laboratório Indar resulte em uma economia total de R$ 1,3 bilhão para o governo brasileiro (considerando também a redução no preço dos insumos).

PDPs– Atualmente, estão em vigor 55 Parcerias de Desenvolvimento Produtivo para a produção de 47 medicamentos, cinco vacinas, um contraceptivo, um teste rápido e uma pesquisa. A partir destas parcerias – que envolvem 15 laboratórios públicos e 35 privados – a expectativa é que o Ministério da Saúde obtenha uma economia de aproximadamente R$ 940 milhões por ano.

Estão contemplados, nestas PDPs, 21 grupos terapêuticos de medicamentos: antiasmáticos, antiparkinsonianos, antipsicóticos, antirretrovirais, biológicos, distúrbios hormonais, hemoderivado, imunobiológicos, imunoestimulantes, imunossupressores, e oncológicos. Entre as PDPs destacam-se a produção do medicamento oncológico Mesilato de Imatinibe; do antirretroviral Atazanavir; dos biológicos Etanercepte e Rituximabe; vacinas para o Programa Nacional de Imunizações (PNI); e do antirretroviral de dose combinada (3 em 1 -  Tenofovir, Lamivudina e Efavirenz).

Da Assessoria de Imprensa do Ministério da Saúde
(61) 3315-2918 / 3580 / 2351

Adesivo trata enxaqueca

 

Fonte: BLOG DA SAÚDE em http://www.blogdasaude.com.br/saude-fisica/2013/01/31/adesivo-trata-enxaqueca/

31 de janeiro de 2013


Um adesivo corporal utilizado para o tratamento de enxaquecas acaba de ser aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão de saúde americano que regula alimentos e medicamentos.

Como funciona

O Zecuity, produzido pela empresa NuPathe, funciona com uma bateria e libera no organismo do paciente a substância sumatriptano, um medicamento frequentemente receitado a pacientes que sofrem de fortes dores de cabeça.

Ele deve ser colado sobre a perna ou o braço. O paciente, então, precisa apertar um botão para que o medicamento seja fornecido ao organismo — são 6,5 miligramas de sumatriptano liberados ao longo de aproximadamente cinco horas. Uma luz acende quando o adesivo começa a funcionar e se apaga quando a substância chega ao fim.

Indicação

O produto é indicado para eliminar os sintomas da enxaqueca, e não para prevenir o problema ou reduzir a sua frequência.

Preço

Ele entrará no mercado americano entre outubro e dezembro deste ano, com preço estimado de 90 dólares cada. Se ele chegar ao Brasil, o preço será salgado: quase R$ 200, para que apenas uma crise de enxaqueca seja aliviada, já que os adesivos não são reaproveitados.

Imagem: Thinkstock

Testes

O FDA aprovou o adesivo a partir dos resultados de um estudo feito com 800 pacientes. Nele, 18% das pessoas que utilizaram o Zecuity não sentiram mais nenhuma dor de cabeça após duas horas e 50% afirmaram que as dores diminuíram — entre os pacientes que usaram um adesivo contendo placebo, essas taxas foram de 9% e 29%, respectivamente. Além disso, o adesivo contendo sumatriptano aliviou as náuseas em 84% dos indivíduos que usaram o produto. A melhora ocorreu em 63% dentre aqueles que receberam placebo.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns do Zecuity foram dores, formigamentos e desconforto no local da aplicação. As informações sobre o adesivo ressaltam que pacientes com histórico de doenças cardíacas não devem fazer uso do patch.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil possui medicamentos orais à base de sumatriptano, mas ainda não há nenhum pedido de autorização de adesivos contendo a substância.

A interface música, cérebro, neurodesenvolvimento e saúde

 

Fonte:  NEUROCIÊNCIAS EM DEBATE em http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=532

nov 23

por Paulo Estevão Andrade e Elisabete Castelon Konkiewitz

1. Introdução

tocadores de Didgeridoo-aborígenes da Australia

A música sempre esteve presente em todas as culturas humanas existentes ou extintas, e sempre ligada às emoções. Ela deixa as pessoas alegres ou tristes, calmas ou ansiosas. Ela é inerente às interações mãe-criança e às tradições orais em rituais de música e dança e jogos. A presença ubíqua da música nas culturas humanas, e a similaridade funcional com que se manifesta, sugere uma profunda necessidade humana de criar, ouvir e fazer música, e uma natureza humana profundamente musical.

Entretanto, numa visão eminentemente culturalista da música, Abbate (1991 apud CROSS, 2001, p.1) sustenta que nossa percepção da música é sempre mediada pelas fórmulas verbais: “Não há nada de imanente em um trabalho musical (além da realidade material de seus traços sônicos e escritos) e nossas percepções das formas, configurações, significados, gestos e símbolos são sempre mediados pelas fórmulas verbais, como em uma escala maior pela ideologia e cultura”. Muitos teóricos, influenciados por essa abordagem também acreditam que as emoções musicais são dependentes da cultura e, portanto, não verdadeiras (Cross, 2001).

Porém, nos últimos 20 anos já se produziu evidência consistente e suficiente para acreditarmos que a percepção da música, com sua universalidade e seu imenso poder emocional, pode ser estudada em bases objetivas e científicas. Estes estudos estão revelando de forma crescente consistente que a música é um comportamento universal e, apesar das óbvias diferenças culturais, apresenta uma série de princípios universais de organização, e processamento afetivo, descortinando um horizonte promissor e amplo de utilização da música na educação e na saúde, tanto no aspecto cognitivo quanto no emocional

2. Universalidades Comportamentais e Neurológicas

Cada vez mais os princípios de seleção sexual e natural têm levado em consideração as evidências antropoculturais e os estudos psicológicos interculturais que revelam a existência de comportamentos e mecanismos cognitivos universais, tais como os números, a música e a linguagem, que, ao que tudo indica, são adaptações universais evolutivamente determinadas. Nesta perspectiva, o processo de seleção natural molda as espécies à sua ecologia não somente nos seus tratos físicos (força, agilidade, resistência, etc.) e fisiológicos (imunidade, alimentação, etc.), mas também nos seus tratos comportamentais, como a percepção dos objetos, sua permanência no tempo e no espaço, sua localização e numerosidade, assim como comportamentos sociais como a linguagem, a música, etc. A existência de comportamentos e mecanismos cognitivos que, pela sua universalidade, presença precoce em membros imaturos da espécie e grau de automaticidade com que são processados, sugere adaptações evolutivamente determinadas (GAZZANIGA, IVRY, MANGUN, 2006). Hoje, todas as evidências convergem no sentido de que a habilidade musical é um componente essencial da natureza humana e não há nenhuma sociedade conhecida desprovida de música (WALLIN, MERKER, & BROWN, 2000; para uma revisão veja ANDRADE, 2004).

Uma flauta com cerca de 30 mil anos,
feita a partir do marfim das presas de um mamute, tem 18,7cm.
Encontrada na suábia-sul da Alemanha

Uma vez que o cérebro é o órgão do comportamento a existência de comportamentos distintos e universais parecem refletir a seleção de sistemas neurais relativamente distintos selecionados pela evolução, e sua compreensão é fundamental para todos envolvidos na área da saúde (e também na educação). Estudos com lesões e neuroimagens mostram que uma significativa porção do cérebro humano é devotada de forma mais ou menos específica a comportamentos relevantes para a sobrevivência, formando sistemas cognitivos distintos para o processamento dos atributos físicos, biológicos e sociais do meio. Estudos sobre o desenvolvimento cerebral suportam uma estruturação cortical geneticamente determinada e a existência, desde o nascimento, de áreas cerebrais citoarquitetonicamente muito bem definidas e distintas que sugerem, de fato, certas especializações neuroanatômicas moldadas pela evolução biológica (veja ANDRADE,2006 a,b).

2. Cérebro, comportamento e cultura

Áreas do córtex cerebral superfície lateral

Assim, a porção posterior do neocórtex contém as áreas sensório-motoras específicas (unimodais) da visão (córtex occipital), audição (córtex temporal superior), tato (córtex parietal anterior), motricidade (córtex frontal), e as áreas de integração sensório-perceptiva no córtex parietal posterior. A parte anterior do neocórtex contém as áreas multimodais do córtex pré-frontal, o mais recente de todos, que se comunica com todas as áreas unimodais e é o principal centro do planejamento e controle das emoções. Já, o processamento das emoções biologicamente primárias (prazer/recompensa, alegria, tristeza, medo, raiva, e nojo) se dá em estruturas subcorticais filogeneticamente antigas no centro do cérebro, como o hipotálamo, gânglios basais, amídala, insula, bem como no córtex orbitofrontal (a parte inferior do córtex pré-frontal que fica logo acima das órbitas oculares) (GAZZANIGA, IVRY, MANGUN, 2006). Com relação à relativa especialização cerebral para certos comportamentos universais, os estudos com lesões e neuroimagem revelam áreas cruciais para a linguagem nos córtices frontal inferior, temporal superior e médio e temporoparietal do hemisfério esquerdo que, juntas, são globalmente referidas como áreas perisilvianas por ficarem em volta do sulco de Sylvius que separa o lobo temporal dos lobos frontal e parietal. O domínio espacial (processamento dos atributos físicos e navegação no ambiente) parece depender de circuitos temporoparietais do hemisfério direito, e o domínio numérico, intimamente relacionado ao espacial, parece envolver parte deste circuito bilateralmente (DRONKERS et al., 2004; para uma revisão veja ANDRADE, 2006a,b). A música parece depender crucialmente de circuitos neurais fronto-temporo-parietais do hemisfério direito, embora envolva extensas áreas dos dois hemisférios compartilhadas com outros domínios como linguagem e cognição espacial (ANDRADE, 2004).

Áreas do córtex cerebral-corte sagital- visão medial

A inextricável ligação entre biologia e cultura é brilhantemente discutida por Geary (1996, 2001 apud ANDRADE & PRADO, 2003, p. 73-80) que, baseado em evidências, discute sobre como essas habilidades ‘biologicamente primárias’, como representação e navegação do espaço físico e numerosidade, habilidades sócio-cognitivas, etc. constituem um ‘esqueleto cognitivo’ no qual se desenvolvem as habilidades ‘biologicamente secundárias’ culturalmente desenvolvidas, tais como a aprendizagem dos símbolos numéricos e algébricos, do uso do sistema decimal, dos cálculos, a escrita e a música, respectivamente. Embora as habilidades secundárias dependam das habilidades biológicas primárias, o seu desenvolvimento é totalmente dependente da valoração cultural e práticas formais escolares, as quais, por sua vez, diferem de uma cultura para outra (ANDRADE & PRADO, 2003).

3. Aspectos universais do comportamento musical

Saraswati- deusa indu das artes, da música e do conhecimento

A pesquisa em bebês e as comparações inter-culturais são duas das principais abordagens empíricas para o estudo da contribuição dos aspectos culturais e universais para vários comportamentos, incluindo a música. A pesquisa com bebês ajuda a esclarecer as predisposições para o processamento musical que transcendem a cultura e a descrever como as propriedades específicas da cultura se desenvolvem (ANDRADE, 2004). As investigações inter-culturais comparam as respostas de ouvintes de contextos histórico-culturais diferentes procurando por fatores transcendentes à cultura e fatores específicos da cultura.

Adultos através das culturas brincam de jogos de imitação com as suas crianças que incorporam o caráter temporal da “alternância de vez” que também está presente na “dança rítmica” entre mãe e criança. Bebês humanos interagem com seus cuidadores produzindo e respondendo a padrões de som e ação. Estas interações controladas no tempo envolvem sincronismo e “alternância da vez” e são empregadas na modulação e regulação de estados afetivos bem como na aquisição e controle da atenção compartilhada

Primeiro, com relação à universalidade, há evidência de características comuns entre todas as músicas do mundo nos princípios subjacentes às melodias tais como: a) a organização das notas dentro de escalas musicais contendo de 5 a7 tons fechando no intervalo de oitava (escalas diatônicas consonantes), b) nas respostas às consonâncias e dissonâncias dos intervalos musicais (combinação de duas notas diferentes), e c) na organização temporal com uma tendência a formação de ritmos métricos (durações baseadas numa pulsação regular) (para uma revisão da literatura psicológica e neurocientífica veja ANDRADE, 2004). Há universalidade também nas expectativas melódicas, isto é, quais notas são esperadas, ou que melhor se encaixam como conseqüentes após uma dada seqüência de notas antecedentes (Eerola, 2003), bem como no julgamento emocional-afetivo das várias características musicais, como tempo (lento ou rápido), consonância (dissonante ou consonante), complexidade, intensidade, etc. (BALKWILL et al., 2004). Quanto à precocidade, hoje sabemos que os bebês processam os padrões musicais de forma muito semelhante aos adultos, preferindo os padrões universais acima reportados a outros, além de possuírem memória de longo prazo para melodias (ANDRADE, 2004; ANDRADE & BHATTACHARYA, 2003).

Córtex parietal: Área cerebral multimodal que integra informações de diferentes áreas sensoriais:
visão, audição, tato, e propriocepção, envolvidos na construção de um modelo coeso do espaço externo
a partir da associação das informações de diferentes modalidades sensório-perceptivas.

Além disso, as emoções musicais são reais e a maioria das pessoas alega ouvir música porque ela provoca emoções e alivia o tédio (PANKSEPP, 1995). Hoje também sabemos que ela não simplesmente simboliza emoções cuja compreensão ou apreciação depende exclusivamente da apropriação cultural dos códigos do sistema musical, mas sim é capaz de disparar fortes emoções de uma forma universal e independentemente da história sócio-cultural do ouvinte. As fortes emoções musicais podem ser de valências tanto positivas quanto negativas, e são altamente consistentes entre os sujeitos de várias culturas, tanto em estudos intra quanto inter-culturais, e com aspectos particulares e universais da estruturação musical (KRUMHANSL, 1997; BALKWILL et al., 2004). Essas respostas emocionais são acompanhadas por alterações psicofisiológicas ou autonômicas, como na circulação sanguínea, condutividades elétrica da pele, temperatura corporal, etc. (KRUMHANSL, 1997; KHALFA et al., 2002), as quais são geralmente descritas pelas pessoas como arrepios, calafrios, lacrimejamento, etc e estão relacionadas a ativações de áreas subcorticais das emoções envolvidas no comportamento aversivo (de fuga), tal como o giro parahipocampal, amídalas e outras, e no comportamento de recompensa/prazer (sexo, alimento) tais como o sistema mesolímbico de dopamina, córtex orbitofrontal e outras (BROWN et al., 2004).

A lição de música, 1877, por Lord Frederick Leighton

4. A interface música e saúde

Essas propriedades universais da música refletem propriedades anatômicas e fisiológicas de nossos circuitos auditivos, evoluídos para o processamento de eventos acústicos biologicamente relevantes (TRAMO et al., 2001): ”…nosso amor pela música reflete uma habilidade ancestral de nossos cérebros em transmitir e receber sons emocionais básicos” biologicamente relevantes e de efetuar “…movimentos rítmicos de nosso aparato motor instintivo/emocional evoluídos para indicar certos estados que possam promover ou prejudicar nosso bem estar (PANKSEPP and BERNATZKY, 2002, p.134).

De fato, os processos neurais subjacentes às respostas estéticas da música são muito mais claros e facilmente detectáveis cientificamente do que os das artes visuais (RAMACHANDRAN and HIRSTEIN, 1999), provavelmente porque a música deve exercer influências mais diretas e poderosas nos sistemas emocionais subcorticais do que as artes visuais. De fato, há estudos preliminares que mostram que drogas como a Naloxona e a Naltrexona, substâncias antagonistas (ou bloqueadoras) da ação de opióides endógenos (fabricados pelo próprio corpo) que são neurotransmissores envolvidos no sistema de recompensa/prazer e da analgesia, também reduzem as emoções e arrepios com a música (PANKSEPP and BERNATZKY, 2002).

Assim, com base nas evidências antropoculturais, neurobiológicas, e de estudos sobre o uso da música na saúde, nós argumentamos que:

a)      Diferentemente da linguagem oral, a música é tanto polissêmica e emocional quanto ‘corporificada’, envolvendo não somente o som, mas também a ação. Aqui, definiremos a música como uma forma de comunicação baseada no som construída a partir da organização sonora na altura (tons) e no tempo (metro e ritmo), corporificada no movimento e essencialmente emocional.

b)      Apesar de possuir substratos neurais relativamente específicos (circuitos temporo-frontais do hemisfério direito), a música é o comportamento que mais envolve áreas cerebrais distintas, incluindo as áreas lingüísticas esquerdas e, bilateralmente, áreas visuo-espaciais e motoras (veja ANDRADE, 2004). Seu amplo espectro cognitivo tem efeitos terapêuticos na melhora da memória autobiográfica em pacientes com demência, melhora nos sintomas de heminegligência em pacientes com AVC, repetição de palavras e memória verbal em pacientes afásicos, bem como capacidades cognitivas gerais de pacientes com demência. Melhorias significativas na habilidade de comunicação em crianças autistas (SÄRKÄMÖ et al., 2008) e habilidades fonológicas e de leitura-escrita em crianças disléxicas também têm sido demonstradas (OVERY, 2003). Os efeitos motores positivos da música já estão amplamente confirmados em pacientes com mal de Parkinson (PACCHETTI et al., 2000). Esses benefícios provavelmente também se devem ao poder emocional-afetivo da música.

c)      A música desencadeia natural e automaticamente emoções biologicamente primárias, como alegria e tristeza, surpresa e medo, raiva, nojo, etc. Emoções musicais negativas (principalmente música dissonante) ativam o giro parahipocampal e a amídala e estão associadas à liberação de noradrenalina na circulação sangüínea, correlatos neurofisiológicos do comportamento de fuga ou medo.  Emoções musicais positivas (principalmente música consonante) ativam áreas cerebrais envolvidas no comportamento de recompensa/prazer (sexo, alimento, etc.), como o sistema mesolímbico de dopamina (área tegmentar ventral do mesencéfalo e o núcleo acumbente dos gânglios da base) e o córtex orbitofrontal (veja Andrade, 2004). Assim, a audição de música relaxante/prazeirosa (consonante) incrementa a recuperação das funções respiratórias e cardiovasculares e diminui o nível de cortisol após o estresse (KHALFAet al., 2003), reduz a ansiedade a depressão (SÄRKÄMÖ et a., 2008), e possui efeitos analgésicos (ROY et al., 2008).

d)     Graças à plasticidade cerebral, a música é uma poderosa ferramenta terapêutica de baixo custo e risco, com efeitos positivos significativos na atenção, processamento semântico, memória, funções motoras e emoções. A música pode e deve ser usada tanto em casos clínicos de lesões cerebrais e doenças degenerativas, como em intervenções de distúrbios do comportamento e emocionais, e, finalmente, em intervenções psicopedagógicas.

Referências

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Movimento Pó Preto completa um ano de cobranças ao Iema

 

Fonte: SÉCULO DIÁRIO em

Denúncias sobre emissões fugitivas de empresas acumulam-se no órgão, sem punição

Kauê Scarim

03/02/2013 19:36 - Atualizado em 03/02/2013 18:40

O Movimento Pó Preto, que costuma registrar, em fotos e vídeos, as emissões das empresas atuantes na Ponta de Tubarão - ArcelorMittal e Vale -, completa um ano de atuação neste fevereiro que se inicia, com uma pilha de denúncias acumuladas no Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), sem respostas.

Além de fotos e vídeos, o movimento também já fez várias solicitações ao Iema, como de dados da medição de Poeira Sedimentável (OS), acompanhadas das imagens-denúncias de emissões de poluentes, que em geral são respondidas pelo órgão com um texto padrão de “estímulo às empresas para que tomem providências de forma a evitar novos eventos”.

Neste ano, só as denúncias protocoladas no Iema sem resposta somam mais de 15. Além do Iema, o movimento também já encaminhou denúncias ao Ministério Público do Estado (MPES), às comissões de meio ambiente da Assembleia Legislativa (Ales) e à Câmara Municipal de Vitória (CMV) e a outros setores.

A poluição, o principal problema ambiental da Grande Vitória, encontra muita resistência para continuar a destruir a qualidade de vida e a saúde dos moradores da região. O Movimento Pó Preto trava, por exemplo, grande luta contra a liberação da Licença de Operação (LO) da 8ª Usina da Vale, pelo menos até que um padrão para o pó preto seja adotado no Estado. 

A entidade cobra uma resposta do Ministério Público do Estado (MPES) a um documento protocolado no órgão em julho do ano passado, que pede, dentre outras coisas, a não liberação da licença e uma série de estudos e justificativas técnicas das últimas ações de controle ambiental feitas sobre as empresas atuantes na Ponta de Tubarão.

O movimento mantém um abaixo-assinado aberto na internet - que já bate a marca de 470 assinaturas - pela divulgação dos números de medição de poeira pelo Iema, devendo estes apresentarem resultados compatíveis e que garantam um padrão de qualidade de vida satisfatória aos moradores da Grande Vitória.

Veja fotos registradas pelo movimento:

Musicoterapia e Idosos Institucionalizados

 

Fonte: MUSICA & SAUDE em http://musicasaude.blogspot.com.br/2011/03/musicoterapia-e-idosos.html

15:55  Flavia Nogueira

 

Vivemos atualmente uma realidade almejada pela grande maioria das pessoas:  vida longa.

A conquista da longevidade é reflexo dos avanços da medicina, da melhoria da qualidade de vida e queda das taxas de mortalidade e fecundidade. Assim, as estatísticas prevêem em um futuro próximo, uma relativa diminuição da população jovem e aumento da longevidade, contribuindo para um crescente aumento da população idosa.

Porém, com o ritmo acelerado de tal fenômeno, a sociedade ainda não encontra-se satisfatoriamente preparada.

A começar pelo núcleo familiar. O estatuto do idoso visa a  "priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento do atendimento asilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência (Lei 10.741, 10/2003).

Portanto, segundo o estatuto, o idoso deve ser atendido por sua própria família, e a institucionalização evitada na medida do possível. Muitas vezes, porém, as famílias não dispõem de condições suficientes para disponibilizar uma atenção efetiva e satisfatória, ou o histórico familiar não proporcionou a criação de laços afetivos fortes que justifiquem ao indivíduo assumir o cuidado de seu parente idoso, ou ainda, o núcleo familiar é inexistente.

O asilamento do idoso, embora cada vez mais frequente, ainda é visto com muitas ressalvas. Imagina-se um lugar deprimente, onde pessoas são abandonadas e esquecidas. Apesar dessa ser uma infeliz realidade em muitas instituições pelo Brasil, esse estereótipo não deve ser generalizado e tomado como realidade. As boas instituições (e claro, que podem contar com recursos adequados) contam com equipes preparadas e ambientes adaptados.

A musicoterapia na instituição
Vemos abaixo, um texto retirado do site do Grupo Vida Brasil, uma instituição civil sem fins lucrativos que tem como missão “promover a defesa dos direitos e o exercício da cidadania do idoso, valorizando o envelhecimento e a qualidade de vida”. Fundado em 1997, o Grupo Vida presta serviços gratuitos às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Localizada em Barueri, SP, a entidade tem atuação nacional.

Música e alegria para os idosos no atendimento de Musicoterapia


Atendimento de musicoterapia realizado pela musicoterapeuta Flávia Nogueira

"Os idosos moradores da unidade Residência do Grupo Vida – Brasil agora também participam de atividades de Musicoterapia.
Desenvolvido por uma musicoterapeuta, o novo projeto oferece atendimentos em grupo e em duplas, utilizando instrumentos como pandeiro, afoxé, chocalhos, violão, cítara, bongô, cuíca e kalimba, e músicas e canções sugeridas pelos próprios idosos. O atendimento visa favorecer a exteriorização das potencialidades, proporcionar a expressão de emoções e promover o desenvolvimento da criatividade, ampliando perspectivas de vida através do fortalecimento da autoestima e das conexões cerebrais. Por meio da música, são estimulados os sentidos (audição e tato) e a linguagem, além de evocar memórias e histórias dos participantes.
O grupo de Musicoterapia está tão interessado que já ensaia apresentações para animar os eventos e festas da Residência."


A instituição não precisa ser um local de tristeza e melancolia. Os  idosos do Grupo Vida provam que morar em uma instituição pode ser uma experiência muito rica,  de trocas, amizades, aprendizados e projetos para o futuro. A instituição não é o fim, mas uma  porta que se abre com novas oportunidades.

ESPÍRITO SANTO: número de homicídios em janeiro foi 3,5% superior ao do mesmo período de 2012

 

Fonte: SECULO DIARIO em http://www.seculodiario.com/exibir.php?id=4749&secao=11

Foram registrados no Estado, no primeiro mês do ano, 146 assassinatos contra 141 de 2012

Livia Francez

01/02/2013 11:28 - Atualizado em 03/02/2013 12:22

O mês de janeiro de 2013 já é mais violento do que o de 2012 no Estado. O número de homicídios registrados nos primeiros 31 dias deste ano já ultrapassa o de mortes violentas no comparativo com o mesmo mês de 2012. São 146 homicídios contra 141 no ano passado, um aumento de 3,5%. Com base nesses números, a taxa estimada de homicídios para 2013 é de taxa 50 assassinatos por grupo de 100 mil habitantes, superior à registrada em 2012, que foi de 48 homicídios por 100 mil. 

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Enquanto Vila Velha, Vitória e Cariacica apresentaram queda, embora  pouco acentuada no número de mortes no primeiro mês de 2013, outros municípios como Linhares, São Mateus, Aracruz e Conceição da Barra, todos na região norte, registraram aumento no número de homicídios desproporcional ao do resto do Estado. Destaque para Conceição da Barra. No município de pouco mais de 28 mil habitantes foram registrados quatro homicídios em janeiro deste ano. Se a média for mantida, até o fim do ano serão 47 homicídios. 

O número isolado de 47 mortes violentas em um ano não causa muito impacto quando se toma como exemplo de comparação o município da Serra, que registrou 36 homicídios só em janeiro. Mas proporcionalmente à população, aumentam muito as chances de uma pessoa ser assassinada em Conceição da Barra. Projetando a taxa para Conceição da Barra para 2013, o número chega a impressionantes 165 homicídios por 100 mil, sendo que a  Organização das Nações Unidas (ONU) considera acima 50 mortes por 100 mil situação de países que estão em guerra civil.

Linhares que também foi bem violenta em janeiro, ainda sim registrou uma taxa bem menor à de Conceição da Barra, embora em relação ao ano passado tenha subido mais que o dobro. Linhares registrou cinco homicídios no primeiro mês de 2012 contra 11 deste ano. Projetando a taxa de mortes para 2013, o número deve ficar em torno de 91 por 100 mil habitantes. 

Situação mais dramática é registrada em Aracruz, que supera Linhares em taxa de homicídios. Foram dois homicídios registrados no primeiro mês de 2012, contra sete em 2013. Se continuar nesse ritmo, o município, que tem pouco mais de 81 mil habitantes (IBGE, 2010), fechará 2013 com uma taxa anual de 100 homicídios por 100 mil habitantes. 

Em São Mateus, vizinho de Conceição da Barra - o município com maior taxa -, a violência também é preocupante. Só em janeiro, oito pessoas foram assassinadas no município, duas a mais que no mesmo período de 2012. 

Na Grande Vitória, Serra segue dominando as estatísticas. Em janeiro deste ano, 36 pessoas perderam suas vidas para a violência na Serra. Em 2012 foram 31, ou seja, um aumento de 16%. Exceção de Vitória, que vem registrando redução das mortes - 9 este ano contra 12 do ano passado -, Vila Velha, Cariacica e Guarapari registraram pequena desaceleração dos homicídios, que ainda não pode ser interpretada como uma tendência de queda. Vila Velha registrou duas mortes a menos em relação a 2012, enquanto Cariacica, Viana e Guarapari tiveram redução de apenas uma morte este ano. 

Antibiótico reduz mortalidade de crianças desnutridas, diz estudo

 

Fonte: G1 em http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/02/antibiotico-reduz-mortalidade-de-criancas-desnutridas-diz-estudo.html

03/02/2013 08h00 - Atualizado em 03/02/2013 08h00

 

Cientistas associaram remédio à alimento terapêutico dado a jovens. Pesquisa envolveu 2,8 mil crianças africanas de seis meses a cinco anos.

Do G1, em São Paulo

Antibiótico reduz mortalidade de crianças com desnutrição severa (Foto: Divulgação/ Univeridade de Washington)Indi Trehan, um dos autores da pesquisa, na África
(Foto: Divulgação/Universidade de Washington)

O antibiótico associado a uma alimentação terapêutica pode recuperar crianças com desnutrição severa aguda, reduzindo as taxas de mortalidade, afirma um estudo da Escola de Medicina da Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos.

A descoberta foi publicada no periódico “New England Journal of Medicine”, na última semana.

De acordo com o artigo, a desnutrição infantil pode ser tratada também com medicamentos, além da alimentação. Isso porque parte das crianças apresenta alterações na flora intestinal, em especial aquelas que desenvolveram uma doença chamada de "kwashiorkor", decorrente da falta de nutrientes.

"Os resultados são notáveis. Baseado em pesquisas anteriores, nós não acreditávamos que o antibiótico traria muitos benefícios, mas foi isso que ocorreu, o que é muito significativo", afirmou o cientista Indi Trehan, principal autor da pesquisa.

O estudo envolveu aproximadamente 2,8 mil crianças de seis meses a cinco anos de idade diagnosticadas com desnutrição aguda, em Maláui, na África subsaariana. Cada uma delas recebeu uma média de 30 dias de alimentação terapêutica e um placebo ou um antibiótico oral (amoxicilina ou cefdinir) por sete dias.

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Os resultados indicam que 88,3% das crianças envolvidas no estudo se recuperaram da desnutrição severa.

O destino da maior parte das crianças que não apresentaram recuperação foi a morte, sendo que a taxa de mortalidade foi consideravelmente mais elevada entre aquelas que receberam placebo (7,4%) do que o grupo que recebeu antibióticos administrados - 4,8% para amoxicilina e 4,1%  para o cefdinir.

Os cientistas registraram uma queda de 44% na mortalidade com o uso de cefdinir e uma redução de 36% com amoxicilina, em comparação com o placebo. De acordo com a pesquisa, não foram observados quaisquer efeitos colaterais graves provocados pelos antibióticos.

No início do ano passado, Indi Trehan e Mark Manary, outro autor do estudo, apresentaram suas conclusões à Organização Mundial de Saúde (OMS), que estabelece as diretrizes internacionais para o tratamento de desnutrição e outras doenças.

"O tratamento não envolve procedimentos médicos complicados para acabar com o maior assassino de crianças no mundo, algo que mata mais crianças do que a malária, a Aids e a tuberculose", disse Manary. "As implicações práticas são enormes."

Pasta de amendoim
Há pouco mais de dez anos, Mark Manary contribuiu com a introdução de uma simples, mas revolucionária, alimentação terapêutica à base pasta de amendoim, leite em pó, óleo e açúcar para combater a desnutrição severa, condição que contribui para a morte de 1 milhão de crianças a cada ano.

A comida terapêutica provou que pode salvar vidas, com uma taxa de recuperação de 85% a 90%, tornando-se um alimento essencial para tratar crianças denutridas em todo o mundo.

Apesar dos resultados significativos, de 10% a 15% das crianças não conseguem se recuperar e acabam morrendo. Foram essas mortes que levaram os pesquisadores a adicionar antibiótico ao tratamento.

De acordo com Manary, uma alimentação reforçada não é suficiente para recuperar crianças desnutridas. "A fome torna o corpo muito vulnerável e suscetível a infecções. Apenas fornecer alimentos para que as crianças tenham nutrientes suficientes não funciona”, afirmou.

Cresce número de denúncias contra profissionais de enfermagem

 

Fonte: FOLHA VITÓRIA em http://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/2013/02/crescem-denuncias-contra-profissionais-de-enfermagem.html

3/2/2013 às 8h57 - Atualizado em 3/2/2013 às 8h57

Redação Folha Vitória

São Paulo - Em apenas um ano, 124.342 novos técnicos de enfermagem entraram no mercado de trabalho no Brasil. De 2010 a 2011, o número desses profissionais aumentou 19,8%, quase 17 vezes mais que a taxa média de crescimento anual da população, que é de 1,17%. O rápido crescimento e a falta de fiscalização de cursos técnicos, aliado a condições de trabalho inadequadas desses profissionais em hospitais públicos e particulares, preocupam os representantes da categoria.

Hoje, a profissão é dividida entre enfermeiros, que têm graduação; técnicos de enfermagem, cuja formação exige ensino médio e curso técnico de dois anos; e auxiliares, que completam apenas o primeiro ano do curso técnico.

Para membros dos conselhos estaduais e federal de enfermagem, a escalada de técnicos, que somam mais de 750 mil de pessoas no País, ocorre de forma desenfreada. Eles apontam a falta de critérios mais rígidos para a criação de novos cursos técnicos como um dos problemas. Além disso, a fiscalização dessas instituições, cuja responsabilidade é pulverizada entre as Diretorias Regionais de Ensino, também é considerada falha - o que não ocorre no curso superior, cuja abertura e fiscalização cabem ao Ministério da Educação (MEC).

Em 2010, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) recebeu 250 denúncias contra profissionais (entre técnicos, auxiliares e enfermeiros). O número subiu para 800 no ano passado, segundo o presidente da entidade, Mauro Antônio Pires Dias da Silva - alta de 220%. Como para cada enfermeiro há dois técnicos no País, estes acabam concentrando o maior número de erros de procedimento.

Nos últimos dois anos, pelo menos 11 casos de falhas em hospitais atribuídos a profissionais de enfermagem tiveram repercussão nacional. Silva, que é professor do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz temer pelo futuro, caso esses problemas não sejam solucionados: "Com remuneração baixa, má preparação e condições de trabalho não adequadas, não errar, para mim, seria um milagre".

Formação
Para a conselheira Fátima Sampaio, do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o principal problema da formação técnica é o fato de que a autorização para a abertura dos cursos cabe aos conselhos estaduais de educação, que não contam com enfermeiros em seu quadro. "São profissionais com experiência pedagógica, mas não na área de enfermagem", afirma.

Fátima relata que os cursos, muitas vezes, não têm laboratório nem professores com experiência profissional - há até docentes que ainda não terminaram o curso de graduação em Enfermagem. "Nos últimos tempos, cursos têm sido autorizados sem que o perfil da região seja considerado. Cursos técnicos, e até de graduação, são abertos em municípios onde não há hospital, apenas unidades básicas de saúde (UBS). Ou seja: não têm campo para estágio."

No caso de São Paulo, somente em 2011 os enfermeiros passaram a constituir a equipe que autoriza a abertura de cursos técnicos. "Os cursos superiores têm um esquema de avaliação por curso, por especialidades. Os cursos técnicos não são avaliados por ninguém", diz a conselheira Neide Cruz, do Conselho Estadual da Educação (CEE).

Ela conta que, diante dessa situação, os cursos de Enfermagem eram os que geravam preocupação do CEE pelas denúncias que passaram a vir à tona envolvendo estagiários e técnicos. Por esse motivo, com a Deliberação 105, de 2011, instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) passaram a se responsabilizar por esses pareceres em SP.

Inexato
Dados sobre quantos cursos técnicos existem não são fornecidos pelas secretarias estaduais de Educação. Levantamento informal feito pelo Coren-RJ aponta a existência de 254 cursos técnicos no Estado do Rio. O Cofen estima que há 2.812 cursos técnicos no Brasil - 743 só no Estado de São Paulo.

O resultado do crescimento de cursos, que formam profissionais de qualidade duvidosa, reflete no aumento de casos de erros atribuídos aos profissionais. Mas o número exato de ocorrências é desconhecido. "Não temos a dimensão de quanto se erra porque, muitas vezes, a falha não chega ao conhecimento de ninguém", diz Fátima. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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